sábado, 21 de maio de 2016

Um desabafo sobre vida com ansiedade.

"Ansiedade é excesso de futuro." 


Eu não tive uma infância como a das minhas amigas. Eu estudava em um colégio particular sem ter o mesmo dinheiro dos colegas, mas isso deixou de fazer diferença quando eu cresci e entendi algumas coisas sobre dinheiro.

Meus pais nunca se casaram, namoraram alguns períodos da vida, namoraram outras pessoas. Eu não entendia porque todos os pais das minhas amiguinhas moravam na mesma casa e os meus não. Eu chorava escondida querendo que eles se casassem. Mas eu cresci e entendi que não seria bom se eles vivessem juntos.

Eu tenho traumas que eu não fui responsável, traumas que vieram de antes da gravidez, traumas que passaram para mim quando eu ainda era feto. Eu nunca soube lidar com isso e, muito menos, conversar sobre isso, principalmente, com as pessoas que são as verdadeiras responsáveis por esses traumas.

E, então, eu me culpei! Carreguei uma culpa por toda a vida, que só aumentava, de erros que eu não havia cometido. Todas as vezes que eu olhava aquela faca só conseguia pensar que eu nunca tinha que ter chegado ao mundo, que meu nascimento acabou com a vida das pessoas que deveriam ter ficado felizes quando eu nasci. Eu me senti rejeitada, intrusa, roubando uma vida e um lugar que não eram meus.

Nunca lidei bem com isso e a minha reação a tudo que envolvia esses traumas, era brigar, chorar e me afastar. Cheguei a sentir ódio da pessoa que mais deveria me amar na vida, por achar que era isso que ela sentia por mim. Nunca entendi porque os filhos tem que ser gratos aos pais já que foram eles que escolheram ter um filho. Eu me sentia usada, como se tivesse nascido como parte de um plano que deu errado.

E foi assim que eu me fechei. Me sentindo a pessoa mais sozinha desse mundo, aprendi a disfarçar todas as coisas que me afligiam e me tornei a pessoa mais simpática e sincera que você vai conhecer na vida. Ok, talvez hoje eu não seja mais tão simpática, mas eu era.

Eu não entendia porque eu era sempre errada, porque eu sempre era acusada de não fazer nada certo, porque só via dedos apontados pra mim em situações que nem eram graves de verdade. Eu nunca fiz nada realmente errado na vida e, mesmo assim, recebia cargas de desaprovação e acusações como se eu tivesse assaltado, traficado, matado.

Isso me matou. Matou a minha capacidade de entender algumas coisas na vida. Matou a minha capacidade de lidar com situações de pressão, com situações corriqueiras na vida adulta. Eu não sei lidar com problemas, eu me apego demais, eu não sei lidar com as perdas, eu não sei reagir. Eu não tenho concentração, nem foco. Eu não sei no que eu sou boa e os únicos sonhos que eu tive a vida toda incluíram ficar bem longe da cidade onde eu nasci.

Todas as coisas na minha cabeça doíam tanto que machucar a minha boca até sangrar era a única forma que eu via de fazer a outra dor parar. Eu era cristã demais pra me matar, mas eu sempre me vi sobrando na vida e vazia demais.

Tudo que aconteceu depois de ter o primeiro sonho de sair de casa realizado, já na faculdade, aumentou meus níveis de culpa. Eu sempre fazia tudo errado e me matava mais um pouco. Tudo que deu errado, mesmo que não fosse culpa de ninguém, na minha cabeça virava culpa minha e cada vez mais a minha boca sangrava por isso. Eu cheguei a pedir a Deus, várias vezes, para me tirar daqui. Eu imaginava acidentes que eu podia sofrer.

Eu nunca vivi. Minha vida se divide em arrependimentos passados e sofrimentos sobre o futuro. Eu não sei como é viver. Eu queria aprender...

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