quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Conto cinco.

- É lindo aqui!
Estava me sentindo em um castelo, como uma princesa. Minha família é realmente ótima em escolher lugares para festas. Depois de tantos anos vivendo um sonho, voltar ao meu país e já conhecer esse lugar, dava a impressão que estava vivendo um filme.
- To apaixonado nessa vista! Quero me casar aqui.
- Olha, primo, casar eu não quero não, mas não me importaria de morar aqui viu!? Hahahaha
E, novamente, estávamos reunidos. Mas não tinha como tirar da minha cabeças as lembranças mais difíceis que eu tinha. A última vez que isso aconteceu, nessa cidade mesmo, minha vida virou do avesso e demorou bem para voltar aos eixos.
A festa era de um homem de mais de 30 anos, mas mais parecia uma de debutante. Todos em trajes de gala, impecáveis, parecendo até os bailes reais que eu tanto vi acontecer nos meus anos no Reino Unido.
Infelizmente, o filme era de romance sem final feliz.
- Eu sabia que te encontraria aqui!
Não era necessário olhar para trás para saber quem falava, mas fiz isso, involuntariamente, com o pensamento "Deus, eu não mereço" quase sendo gritado pela minha mente.
- Você está linda, como sempre.
- Não começa!
- Achei que a raiva já tinha passado, depois de todo esse tempo.
- Até passa, as vezes. Mas quando eu lembro de tudo que você fez, do tanto que me enganou, como me fez de idiota, como virei chacota para seus amigos... ai volta um sentimento ruim de desprezo por você.
- De novo isso? Já te falei tantas vezes que tudo isso que você acredita ser verdade é coisa da sua cabeça. Eu fui a melhor pe...
- AH CHEGA!
Eu sentia meu rosto queimar de uma forma que, por anos, não senti. Meu coração estava acelerado; minhas mãos, tremendo. Eu respirava com uma certa dificuldade. Não acreditava que, depois de todo esse tempo, ainda ia ouvir as mesmas mentiras que me levaram ao fundo do poço da minha vida.
- Não é possível uma pessoa sustentar tantas mentiras. Você mente tanto que acredita no que fala? Como você se aguenta?
- EU NÃO ESTOU MENTINDO! EU NUNCA M...
- Ah, pelo amor de Deus, põe a mão na consciência! Uma vez na vida, seja sincero com você mesmo, assume seus erros. Olha tudo que você fez. Como consegue negar ainda?
Ele me olhava, em silêncio. Eu me perguntava como alguém consegue viver uma mentira. Ficamos alguns minutos em silêncio; nossas respirações já faziam o papel de verbalizar o que sentíamos.
- Sabe, a gente amadurece quando assumimos pra nós mesmos nossos erros e nos perdoamos. Você precisa parar de mentir pra você. Você sabe o que fez, não tente me convencer o contrário. Pior ainda, não se convença de que você foi a melhor pessoa que pôde comigo. Você não foi, e sabe disso! Rezei pra você crescer, amadurecer, se perdoar! Mas, pelo visto, não adiantou.
Quis fazer uma cena de novela, não conseguia sair da postura do personagem que eu tinha montado na minha imaginação, mesmo que todos aqueles sentimentos e aquelas palavras fossem verdadeiras. Mas não consegui ser tão fria e sair desfilando no estilo Beyoncé em Crazy in Love. Não consegui não olhar para trás.
- Eu perdoei você. Perdoei sim, ainda naquele ano. Perdoei e entendi que eu não era a pessoa da sua vida e nem você da minha. Perdoei, mas nunca esqueci, muito menos consegui pensar em um único motivo para você ter feito tudo que fez. Mas vou esperar o dia em que você vai se perdoar e assumir para você seus erros todos e, finalmente, vir me responder porquê. Eu perdoei você e perdoo hoje de novo.
Ele me olhava, perplexo. Parecia que queria dizer de novo que não errou, mas não conseguia mais. A mentira consome e tem um limite. Acho que esse era o dele.
(...)

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