quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Sobre Suicídio e Setembro Amarelo

Olá kiridas!
Vou pedir duas coisas à vocês hoje: assistam o vídeo e leiam esse post. Obrigada
Acho que eu nunca tive coragem de pedir ajuda, porque sabia que, no fundo, não ia tirar a minha vida. Mas a vontade era imensa. Tudo que acontecia no meu dia a dia fazia parecer que eu era a pior pessoa do mundo, um peso no universo, alguém descartável, dispensável, que não faria falta para ninguém que vive a minha volta.

Mas o foco principal da história na minha cabeça de quem não ia sentir a minha falta eram meus pais. Eu tinha certeza que, sem mim, a vida deles seria melhor, mais feliz e, principalmente, mais barata. Eles pareciam tão bem sem mim, parecia que a vida fluía quando eu não estava e era mais difícil e mais incômoda comigo por perto.

Na minha adolescência, as coisas também pareciam não se encaixar quando eu estava por perto. Eu não era a mais bonita, nem a mais popular, talvez nem a mais legal; tinha poucas amigas, apesar de ser daquelas que fala com todos. Não comprava nas lojas mais caras da cidade, como as minhas colegas, meu pai mal me deixava sair para comer um lanche na sexta-feira e minha mãe sempre repetindo inúmeras vezes que eu não prestava nem para deixar a casa em ordem.

Sim, eu cresci ouvindo que eu não era boa o suficiente. Eu não era inteligente como meu pai, nem responsável como a minha mãe, nem esforçada como uma prima que eles admiram. Eu não era boa filha, mesmo nunca tendo usado drogas ou fugido de casa ou sido mal educada ou feito nada realmente errado. Eu só não gostava de estudar nem de limpar a casa. Na verdade, não gosto disso até hoje.

Só que adolescente vive em crise existencial achando que todo mundo o odeia e são criaturas chatas e que não dá vontade de conviver mesmo. Pais de adolescente sofrem com essa formação de personalidade que acontece nessa época, então vou dar um desconto.

Mas nada disso parou quando eu saí da adolescência, só diminuiu. O tempo passou e eu parei de dar importância a essas criticas da minha casa, ou pelo menos o impacto delas na minha vida diminuiu, porque eu passei a me conhecer e, sabendo quem eu sou, não conseguia acreditar que eu era essa pessoa que meus pais tanto não se orgulhavam.

Até que ano passado eu conheci a pessoa que eu achei que seria o homem da minha vida. Ele foi a pior e melhor pessoa da minha vida. Ele terminou comigo por outra pessoa e eu desabei de uma forma que nem sabia que era possível. Passei três meses na cama. Acordava e ia dormir pensando em morrer. Eu já não era mais uma pessoa que tinha motivos para acordar todos os dias. Eu chorava o dia todo, me imaginava enforcada ou ensanguentada na rua, sem vida. Eu desejava que isso acontecesse, pedia a Deus para não acordar no dia seguinte. Eu queria morrer!

E ninguém sabia de nada. Acho que por ter passado a adolescência toda no escuro, escondendo meus problemas de todo mundo, eu aprendi a não demonstrar em público o que estava acontecendo. Assim, passei três meses de ano me mutilando, chorando, de cama e tendo pensamentos suicidas sem que ninguém, ao menos, desconfiasse. A única pessoa que sabia disso tinha me trocado por uma mulher melhor e estava vivendo feliz com ela. E isso me matava mais.

Eu não tive coragem de pedir ajuda e também não conseguia me ajudar. Eu perdi muita coisa nesses meses, mas teve apenas uma que fez diferença: eu me perdi! Não sabia quem eu era, o que eu queria, não via futuro pra minha vida. Não existia amanhã e eu desejava fielmente que não existisse. Eu odiava tudo em volta de mim, queria que as pessoas me esquecessem, não me olhassem, tinha certeza que ninguém ia sentir a minha falta.

Graças a Deus tem um lugar no mundo que me faz sentir bem demais para querer desistir. E eu fui pra lá e me lembrei o que eu queria. Foi como se eu tivesse me resgatado, reativado as minhas forças. Então, eu saí disso e, até hoje, tem pessoas que não sabem nem que eu entrei nessa.

Meu maior medo de pedir ajuda era pelos julgamentos. Minha vida é ótima, eu sei que seria julgada como mimada, mal agradecida, como se fosse frescura e vontade de aparecer. Isso me consumia em culpa e a vontade voltava. O medo dos julgamentos ficavam cada dia maiores e eu me trancava mais horas no quarto.

Lembrem-se: não é frescura! Não deixem de observar que esta por perto agindo diferente. Se essa pessoa não pediu ajuda deve ser pelos mesmos motivos que eu não pedi. Então não julgue e tente ajudar. Para quem precisar, como eu disse no vídeo, meus contatos estão abertos para ouvir.

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